Canção das Tardes Livres
Mariana Arraes de Alencar

Entrei pela porta errada
Mas foi paraíso, meio sem querer
Ficou leve, a vida,
E pisei no vão, na escada, na lua
Terra à vista,
Uma terra de violão, 
De abacaxis nas tardes de verão

Sem querer,
E foi tão simples,
Porque ouvi a canção das tardes livres
Em Recife, nos quintais
Em Argel
Debruçada sobre livros
Ou deitada no sofá
Lendo o jornal
Tentando entender o mundo

Depois de lá Okapi*
Apresentações do mundo em várias versões
Mas eu consegui ouvir o som que passou pela janela

Pintamos juntas uma pedra
Eu e minha irmã
Como se revelássemos o mundo
Que os adultos queriam ver dentro de nós
Mas morríamos no verde e no azul
No amarelo que cobriu a pedra
Como nasce uma flor.


Recife, 23/10/18

*Revista francesa para jovens.

Esse poema foi escrito na biblioteca, no CAC. Lembrei que havia pintado uma pedra redonda com minha irmã Nena, e achei o maior barato.

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