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Mostrando postagens de outubro, 2019

A cidade se faz antiga

Esse poema está em Marcas d'Água. A gente vive a cidade em vários ciclos, se moramos nela por um tempo significativo. A cidade se faz antiga Mariana Arraes de Alencar Onde andará sua alma gêmea, Menina, Aquela presença conhecida e amiga, Por que ruas, No verde e azul das tardes, Nas esquinas molhadas da cidade tropical, Reconhecíveis pela umidade da emoção Ao ver surgir um prédio familiar, Antigo, ou dos anos 60; Ainda caminhará quase incólume Pelas ruas de casas e quintais? Fixando a correnteza do rio, Que vai filtrando lembranças, avenidas, O mapa da cidade do coração de então, (De quando ele lhe deu a mão, Perto do Parque Treze de Maio), Desaparece na curva das águas com o outono de sua alma, Ficando tão longe como num sonho, Ou um instante. Recife, 30.05.12

Romãs

Quando tinha cerca de cinco anos, ganhei de uma das tias freiras de minha mãe um rosário de contas transparentes que me lembraram as sementes de uma romã. Romãs Mariana Arraes de Alencar Contas de rosário Sementes de romã Coração miudinho Em cálice e capela,  Com sumo de luz Abrindo passagem Sementes de romã Sumo e dureza Felicidade e aspereza Reza, ritmo, Projeção Passarás não passarás Uma conta ilumina Outra lembra Nessa,  o ontem dói, Hoje Como se cata feijão e arroz, Memórias, sentimentos Debulhados Esparramados Em nova constelação.
Canção das Tardes Livres Mariana Arraes de Alencar Entrei pela porta errada Mas foi paraíso, meio sem querer Ficou leve, a vida, E pisei no vão, na escada, na lua Terra à vista, U ma terra de violão,  De abacaxis nas tardes de verão Sem querer, E foi tão simples, Porque ouvi a canção das tardes livres Em Recife, nos quintais Em Argel Debruçada sobre livros Ou deitada no sofá Lendo o jornal Tentando entender o mundo Depois de lá Okapi* Apresentações do mundo em várias versões Mas eu consegui ouvir o som que passou pela janela Pintamos juntas uma pedra Eu e minha irmã Como se revelássemos o mundo Que os adultos queriam ver dentro de nós Mas morríamos no verde e no azul No amarelo que cobriu a pedra Como nasce uma flor.
Começo retomando um poema, A  Vida das Árvores                                  Mariana Arraes de Alencar
Venho recebendo um impulso de fontes diversas que me leva a  compartilhar neste blog um pouco do que escrevo. Deixar o fluxo acontecer tem trazido leveza, e dou então mais ouvidos a estas vozes, internas e externas.  E ssa a razão de De Estrelas e Carambolas, que tem a  intenção de trazer energias de harmonia e centramento. Beijos, Mariana